1 de novembro de 2010

Superando a Escuridão e o Silêncio


Comunicação Libras Tátil



Comunicação Tadoma


A paulista Cláudia Sofia Indalécio Pereira tem 40 anos. A caxumba e o sarampo tornaram-na surda aos 6 anos. A retinose pigmentar roubou progressivamente sua visão. Com 19 anos, no Natal, disse à mãe enquanto a família assistia à televisão: "Não vejo mais nada."

O carioca Carlos Jorge Wildhagen Rodrigues, de 50 anos, nasceu surdo. Ele tem síndrome de Usher, que causa surdez congênita acompanhada por perda progressiva da visão. Com 10 anos, começou a ficar cego. Depois do ensino médio, tornou-se digitador. Trabalhou 11 anos, mas a cegueira obrigou-o a se aposentar. Foi o primeiro aluno surdocego do Instituto Benjamin Constant (IBC), no Rio.

Tato. Cláudia Sofia usa o tadoma para compreender o que as pessoas falam: ela encosta o polegar e o indicador no queixo do interlocutor. Ao ficar surda, aprendeu a ler os lábios. Depois de ficar cega, tocou a boca da mãe em um momento de aflição e descobriu que também era capaz de ler os lábios com o tato. Apenas três pessoas no País utilizam esta forma de comunicação.

Rodrigues utiliza libras tátil e sabe ler em braile. Trabalha em um computador devidamente adaptado, utilizando o resquício visual para presidir a Abrasc.

Em maio de 2005, Cláudia Sofia e Rodrigues tornaram-se o primeiro casal de surdocegos do País. Vivem em um apartamento na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Gostam de praticar esportes radicais - ele já foi instrutor de mergulho e ela pulou de paraquedas. Para conversar, utilizam libras tátil. A autonomia dos dois impressiona familiares, vizinhos e amigos.

E o casal ainda alimenta muitos planos para o futuro. "Quero ter filhos", afirma Cláudia Sofia. "Se necessário, vamos adotar."

Fonte: www.saci.org.br