22 de abril de 2011

O Tríduo Pascal




SENTIDO DO TRÍDUO PASCAL
O Tríduo Pascal é a maior celebração das comunidades cristãs. Na vitória de Jesus, saboreamos a nossa vitória sobre as forças da morte que imperam neste mundo. Também nos animamos uns aos outros no assumir a causa da vida, até que a Páscoa definitiva, a libertação completa, aconteça. A Páscoa é o centro do ano litúrgico, fonte que alimenta a nossa vida de fé. Celebrar o Tríduo Pascal da paixão e ressurreição do Senhor é celebrar a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus que o Cristo realizou quando, morrendo, destruiu a nossa morte e ressuscitando, renovou a vida.

QUANDO TEVE INÍCIO O TRÍDUO PASCAL
No final do século IV, encontramos já organizado um tríduo pascal, que Santo Agostinho recomendava vivamente a seus fiéis. Formavam, em princípio, o tríduo: a sexta-feira, o sábado e o domingo. É no século VII que o tríduo se inicia com a “Ceia do Senhor” na tarde da quinta-feira, com o que fica ele constituído pela quinta-feira, pela sexta-feira e pelo sábado - aí incluída a vigília pascal. As três datas formam uma unidade: a celebração do mistério pascal. Com o tempo vai-se perdendo essa perspectiva e cada celebração se torna independente e se recarrega de aspectos secundários.

O QUE CELEBRAMOS NA QUINTA-FEIRA SANTA
A manhã desse dia celebrava-se a reconciliação dos penitentes. Depois se incorporou a missa crismal em que o bispo consagra os santos óleos e o crisma para as diversas celebrações dos sacramentos. Missa vespertina da ceia do Senhor: com ela tem início a celebração da páscoa cristã. O Senhor celebrara com os seus a última ceia no contexto da páscoa judaica: a comemoração da passagem de Israel pelo mar vermelho. Nesse dia, Cristo inaugura a nova Páscoa, a da aliança nova e eterna, a de seu pão compartilhado e seu sangue derramado, a de seu amor levado ao extremo e do mandato do amor para nós, a de sua passagem pela morte à ressurreição, a Páscoa que devemos celebrar em sua comemoração. Eucaristia, sacerdócio, mandato do amor e nova Páscoa do Senhor são o conteúdo preciso da missa da Ceia do Senhor. O transporte das formas (hóstias) consagradas à urna, para a comunhão da sexta-feira, inicia no século XIII. O “monumento” (local físico) é elemento acidental, e só encontra sentido em vinculação com o mistério celebrado: agradecimento ao amor de Cristo e oração-reflexão do mistério pascal.

O QUE CELEBRAMOS NA SEXTA-FEIRA SANTA
Talvez seja o dia que mais sofreu a desagregação a que fazíamos referência, tendo o sentimento primazia sobre o mistério. A renovação litúrgica restituiu-lhe sua autenticidade. Como vem acontecendo há muito tempo, hoje não se celebra a missa, tendo lugar a celebração da morte do Senhor: o mistério que é celebrado é uma cruz dolorosa e sangrenta, mas ao mesmo tempo vitoriosa e resplandecente. Trata-se de morte, a de Cristo, real e tremenda; mas é passagem a uma vida ressuscitada e eterna. O amor de Deus, que é vida, terá mais poder do que o pecado do homem, que é morte. A celebração incorpora-nos à redenção de Cristo e a seu mistério de salvação universal: pela morte à vida.

O QUE CELEBRAMOS NA VIGÍLIA PASCAL
De início, celebrava-se a Páscoa num só dia, melhor dizendo, numa só noite. Era a grande Noite da Vigília Pascal. É de fato a partir do século IV que a grande Celebração da Noite Pascal, a mãe de todas as vigílias, deu origem à Semana Santa. No século IV, a Vigília Pascal tomava toda a noite, do pôr do sol de Sábado até ao dia seguinte, de manhã muito cedo (Jo 20, 1), de modo que não havia qualquer outra celebração em dia de Páscoa. Cedo, porém esta prática desapareceu. Mas é esta observância da Igreja primitiva que importa reter pelo seu grande significado: numa Noite semelhante àquela da libertação em que o povo hebreu, oprimido no Egito, esperou o sinal da partida para a Páscoa da liberdade (Ex. 12), o Povo da Nova Aliança espera a Ressurreição do Senhor Jesus. E deste modo os cristãos aguardam de lâmpadas acesas (Lc 12, 35) que o Senhor saia vitorioso do túmulo. É no Tempo que se cumpre a Salvação de Jesus Cristo, sobretudo através dos dois grandes Sacramentos do Batismo e de Eucaristia: O Batismo pelo fato de ser uma especialíssima configuração com a Morte e Ressurreição do Senhor Jesus (Rm 6, 23), a Eucaristia por ser o seu grande Memorial. A Liturgia da Noite Pascal porá em realce todos estes Sinais e Memórias, todo este Passado e Presente.
A festa da ressurreição não tardou a ser precedida de uma vigília de preparação durante toda a noite anterior. Contamos com documentos do início do século III, que apresentam alguns elementos desta celebração, tais como: jejum, oração, eucaristia - e até batismo, com a bênção da “fonte batismal”. Vão-se acrescentando depois novos elementos: o canto do Exultet, que vemos documentado no século IV; a bênção do círio pascal, no século V. Pouco a pouco, foi-se enriquecendo esta última, que deve ser “a celebração das celebrações” para o cristão, e a que Santo Agostinho denominava “Mãe de todas as vigílias”.

É O SENHOR QUEM NOS CONVIDA A CELEBRAR A SUA PÁSCOA!
Assim ouvimos com alegria: “Cristo ressuscitou, verdadeiramente, dos mortos”! Num duelo admirável a morte lutou contra a vida, e o Autor da vida se levanta triunfador da morte. Terminou o combate da luz com as trevas, combate histórico de Jesus com os fariseus e todos aquelas pessoas que não acolheram o Reino de Deus. Após as trevas brilhará o sol da Ressurreição! Nada, pois, mais necessário do que viver em intensidade estes dias sagrados e abrir os corações às inspirações divinas. Então a Páscoa será abençoada e sinal de novas conquistas e de vida plena para todos. Participe destes importantes dias onde celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Boa Semana Santa e feliz preparação da Páscoa em sua vida, família e comunidade.


Dom Vilson Dias de Oliveira, DC
Bispo Diocesano de Limeira