15 de setembro de 2011

Limeira – 185 anos



Amanhã, Limeira estará completando 185 anos, pois teve início em 1826, conforme comprovam os documentos históricos daquela época, notadamente o Livro de Registro das Capellas da Cúria Metropolitana da cidade de São Paulo, onde está registrado que “Limeira – Teve começo esta povoação no ano de 1826, edificando-se logo uma Capella que teve o título de Nossa Senhora das Dores”. Anteriormente àquela data, havia apenas uns poucos moradores, dispersos pelas grandes fazendas de café, situadas na região onde localiza o atual Município de Limeira.
Por decreto de 1830, do Imperador, D. Pedro I, foi criada a Freguesia de Nossa Senhora das Dores do Tatuiby (que na língua tupi quer dizer tatu pequeno), com a demarcação de suas divisas e a nomeação do primeiro Juiz de Paz. No ano seguinte, a Capella de Nossa Senhora das Dores de Tatuiby foi elevada a curato, com a nomeação do primeiro pároco, a quem cabia prestar assistência religiosa aos moradores da incipiente freguesia que, com o passar do tempo, começou a crescer, com a chegada de pessoas procedentes de outras regiões da então Província de São Paulo, atraídas pelo trabalho nas culturas de café e de cana-de-açúcar. Alguns anos depois, começaram a chegar os primeiros imigrantes europeus, contratados para trabalhar na Fazenda Ibicaba, de propriedade do Senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, grande empreendedor na iniciativa privada, político influente no Império e pioneiro da tentativa de substituir o trabalho escravo pelo dos colonos europeus livres em nosso País.
Em 1842, a Freguesia de Nossa Senhora das Dores de Tatuiby foi elevada à Vila de Limeira, e vinte e um anos depois, à cidade, graças à iniciativa do Barão do Rio Claro e, em pouco tempo, tornou-se uma das mais prósperas e importantes da então Província de São Paulo.
Por uma lei de 1875, sancionada pelo presidente da Província de São Paulo, foi criada a Comarca de Limeira, que recebeu seu primeiro Juiz de Direito. Em pouco tempo, Limeira se transformou num polo agrícola, cujos produtos eram transportados em lombo de burros até a capital da Província de São Paulo e, de lá, para o Porto de Santos. No retorno, os burros transportavam mercadorias importadas que abasteciam os moradores da cidade e da zona rural. A necessidade de escoamento dos produtos agrícolas produzidos em Limeira, fez com que as lideranças políticas locais conseguissem do Imperador, D. Pedro II, a autorização para que a Estrada de Ferro do Oeste, que interligava a cidade de Campinas a São Paulo, fosse estendida até Limeira. Concluída a extensão dos trilhos, foi festivamente inaugurada a Estação de Limeira da Estrada de Ferro do Oeste, no ano de 1876, facilitando o transporte de passageiros e de produtos agrícolas para a Capital da Província e para o Porto de Santos, pois mencionada ferrovia se interligava com a Estrada de Ferro São Paulo Railway, que partia da cidade de Jundiaí, passava pela cidade de São Paulo e seguia até a cidade de Santos.
Esse importante acontecimento pode ser considerado o alicerce da cidade pujante, com cerca de 180.000 habitantes, limeirenses natos ou por adoção, que amanhã comemorará 185 anos de existência.

Dr. Reynaldo J. G. Busch